Luiz Alphonsus trabalha com intervenção urbana desde os anos 1960, mesclando o interesse por pintura com performances, fotografias e instalações. Contamina todos os seus projetos com uma certa estranheza, que pode vir de sonho ou pesadelo, e que talvez seja parte de uma herança de seu avô, o poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens. No trabalho do artista visual, esta sensação de deslocamento cobre as imagens de maneira quase imperceptível, como um véu transparente.
Em “Mapas invisíveis” não foi diferente. Desafiado a abordar o Aterro do Flamengo, uma das reformas urbanísticas mais importantes do Rio de Janeiro, Luiz Alphonsus revisitou uma antiga série de fotos e criou um trabalho inédito, que reúne fotografia e instalação. Em Paisagem Estrutura Móvel – 2010 – Aterro, ele estendeu uma faixa branca na paisagem projetada por Burle Marx durante um domingo de sol, fotografando-a. A faixa vai vazar da imagem para o espaço da Galeria 1 da Caixa, levando para a exposição a ideia de interdição provocada pelo Aterro.
Apesar de todos os benefícios trazidos para o Rio e da grandiosidade de seu projeto, o parque foi uma obra polêmica, que afastou os cariocas do mar e mostrou que a cidade se rendia definitavamente a um pensamento urbanístico que priorizava os carros, e não mais os pedestres. Além de abordar este problema, Alphonsus também toca na transitoriedade da aparência das metrópoles.

Apenas a imagem da faixa branca em si já é muito bonita e poética. Com todas as camadas de ideias que podemos agregar à imagem então, temos um Luiz Alphonsus em um dos seus melhores momentos!
parabéns para todos