
O grupo Opavivará visita o Mercadão de Madureira
Uma cidade é feita de cidades sobrepostas. Há muitos mapas invisíveis nos bairros e regiões de uma metrópole. Eles revelam as diversas camadas de tempo e espaço que aquela cidade viveu – camadas estas que são costuradas pela memória – individual ou coletiva dos moradores daquele lugar.
“Mapas invisíveis”, a exposição, vai propor que artistas visuais de diferentes gerações, com grande importância na cena contemporânea brasileira, se debrucem sobre esta escrita quase oculta do Rio de Janeiro. Assino a curadoria da mostra, que será inaugurada no dia 8 de novembro deste ano, na Caixa Cultural, mas que já começou a ser produzida pelos artistas nos encontros com as regiões escolhidas. Este blog vai documentar informalmente este processo, já que tão importante quanto o resultado final, obras inéditas que serão vistas na galeria da Caixa, é o caminho que as gerou.
Em “Cidades invisíveis”, livro que foi a primeira semente para esta exposição, Italo Calvino diz, através da boca de seu Marco Polo contador de histórias, que “De uma cidade, não aproveitamos suas sete ou setenta maravilhas, mas as respostas que dá às nossas perguntas”. Esta exposição vai atrás destas respostas e de novas dúvidas.

Suzana Queiroga (direita) conversa com Suélen Brito, que coordena oficinas de arte no Projeto Redes, da Maré: a artista reencontrou crianças que foram à sua exposição no Chácara do Céu e desenvolve projeto em parceria com elas
A cidade e a arte sempre caminharam juntas. A própria ideia de cidade – e de cada cidade, especificamente – foi pensada pelos artistas. Foi assim com a Florença Renascentista, cuja construção não pode ser dissociada dos grandes artistas e arquitetos do período; com o Império Turco Otomano, contado e recontado por seus tapetes e gravuras; com a São Paulo de 1922, redimensionada para todo o Brasil com a antropofagia de Oswald de Andrade; com o Rio Modernista dos anos 1950, traçado por arquitetos como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Affonso Eduardo Reidy, mas também pela bossa nova, o teatro de Nelson Rodrigues, os artistas construtivos.
“Eu sou a cidade”, escreveu certa vez Carlos Drummond de Andrade em um de seus poemas, para completar, mais adiante: “A cidade sou eu”. Ao convidar 12 dos maiores artistas contemporâneos do país para repensar regiões do Rio de Janeiro pretendi de alguma forma ecoar a frase do poeta mineiro, que adotou o Posto 6 como lar.
A memória visual dos artistas e do público trará à tona o repertório de cada um, mas também acertos, saudades e feridas. Os lugares escolhidos têm em comum o fato de representarem uma confluência de História e histórias: são bairros, ruas ou regiões que passaram por grandes transformações ao longo do tempo – uma reforma urbana que alterou seu traçado, demolições, reestruturações paisagísticas, deterioração econômica – ou representarem encruzilhadas entre culturas, classes sociais, grupos rivais.
Eis os 12 “Mapas invisíveis” - artistas e lugares:
Alexandre Vogler – Realengo
Angelo Venosa – Floresta da Tijuca
Anna Bella Geiger – Região Portuária
Daniel Senise – Botafogo
Daisy Xavier – Copacabana
Luiz Alphonsus – Aterro do Flamengo
Luiza Baldan – Barra da Tijuca/Península
Opavivará – Madureira
Paulo Vivacqua – São Cristóvão
Rosângela Rennó – Saara
Suzana Queiroga – Maré
Thiago Rocha Pitta – Avenida Rio Branco e Castelo
A realização de “Mapas invisíveis” é da Tisara Produções e da equipe coordenada por Mauro Saraiva. O design de montagem e o projeto gráfico do catálogo estão a cargo de Fernando Leite.
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