Feeds:
Posts
Comentários

Posts de agosto \31\UTC 2010

Este slideshow necessita de JavaScript.

Na semana passada, o Opavivará apresentou uma P.A. (prova de artista) de um pouco do que vai ser o trabalho do grupo no “Mapas invisíveis”.  Os sete artistas que integram o coletivo fizeram o bolo de aniversário de 20 anos  do CEP 20.000 com a fotografia feita de anilina comprada no Mercadão de Madureira.

Quem foi criança na Zona Norte – eu fui –  sabe que o “bolo de foto” é um clássico nos aniversários. Pois bem: o bolo do Opavivará no CEP misturava frutas e legumes da foto, impressos no glacê, com os da vida real, misturados a um sem número de temperos.

O bolo é apenas a pontinha de um iceberg: com ótimas intervenções urbanas em seu currículo – fizeram o projeto “Eu amo camelô” e o passeio ciclístico pelo Centro no último Viradão Carioca – os artistas vão criar um trabalho para ser vivenciado em um sábado de compras no Mercadão de Madureira, misturando arte e comida. Na inauguração de “Mapas invisíveis”, vão levar registros desta intervenção e reproduzi-la parcialmente no ambiente da Caixa Cultural.

Read Full Post »

Realengo nos anos 1980

Recém-chegado de Amsterdam, onde fez uma residência artística, Alexandre Vogler vai mergulhar em Realengo, Santa Cruz e outras áreas da Zona Oeste durante a campanha eleitoral, para tentar perceber como a ebulição política destes dias pré-voto cria novos circuitos na região.  Mais um projeto de “Mapas invisíveis” em andamento.

Read Full Post »

Um mapa não é só visual, matemático, urbanístico e histórico, com bem mostrou Carlos Albuquerque na capa do Segundo Caderno, no Globo de hoje.  Ele entrevistou Stanza, um artista britânico que anda pelo mundo gravando os sons das cidades.

No projeto Soundcitieis, que você conhece clicando aqui, Stanza gravou de um pequeno passeio por um dos canais de Amsterdam ao condutor do metrô do Rio, que simpaticamente se apresenta e deseja boa viagem para os passageiros. Pude percorrer com o ouvido lugares que vi e amei.

Entrei em um vagão de trem em Berlim; voei com os passarinhos numa tarde pelas Ramblas, em Barcelona;  tentei acompanhar a conversa de adolescentes em Tóquio; andei num mercado de Brixton, Londres, prestando atenção ao movimento dos indianos; fui várias vezes a São Paulo;  ri sozinha com a buzina de carro tocando uma “Sonata”, em Budapeste. A capital da Hungria voltou a ser a cidade que mais me surpreendeu no mundo. Diversa, colorida, mas com “aquele ar de quem já viu tudo”.

Stanza também me fez poder viver, por segundos, em Istambul,  Shangai, Montpellier, Los Angeles… tantos lugares que nunca vi.

São Cristóvão vai ganhar mapa sonoro

Por fim, me transportei para São Cristóvão, uma das regiões de “Mapas invisíveis”. Abrigo de dom João VI e sua corte, antigo bairro operário,  esquina entre portugueses e nordestinos, conjunto que teve História e histórias soterradas pela Linha Vermelha, São Cristóvão vai ganhar um mapa sonoro feito pelo artista Paulo Vivacqua. Ele começa a gravar este mês em lugares como a festa nordestina no Pavilhão e o São Cristóvão Futebol Clube – no modesto gramado onde Ronaldo Fenômeno deu seus primeiros chutes, ainda magrinho.

Quem sabe, terminado o trabalho, não mandamos sons para completar o mapa carioca de Stanza?

Read Full Post »

O filme City of Splendour foi rodado no Rio de Janeiro em 1936, com roteiro do americano James A. Fitzpatrick para sua sua série Traveltalks, guias de viagem que eram exibidos nas salas de cinema dos EUA com a chancela da Metro Godlwyn Mayer. O olhar estrangeiro de Fitzpatrick é um caso à parte e poderia gerar inúmeros posts. Afinal de contas, o discurso sobre um lugar, feito por gringos ou locais, também é capaz de moldar paisagens.

O que me inquieta e emociona neste filme, no entanto, é a visão de um Rio que jamais conheci. Preste atenção na Avenida Beira-Mar antes do Aterro e na Praia da Glória como um lugar frequentado para o banho (o mar da Glória está presente em romances como “Dom Casmurro”, de Machado de Assis).

Há a Cinelândia com seu calçamento bastante desenhado, uma Avenida Rio Branco tinindo em folha.

Por fim, deixo uma pergunta para os historiadores e urbanistas. Qual é o palácio de arquitetura moura, com cúpulas em minarete, que aparece junto à praia, no trecho por volta dos 4 minutos e 35 segundos, em que Fitzpatrick fala que os brasileiros adoram nadar e que o Rio é uma cidade de arquitetura pouco usual, que reproduz famosos prédios da Espanha e de Portugal?

Seria a Torre do Mourisco, em Botafogo? O Corcovado é visto à direita do prédio, o que me faz apostar nisso.

Não é o Palácio Monroe, demolido da Cinelândia pelas obras do metrô. Ele tinha um desenho eclético, bastante diferente deste que aparece no filme. Para mim, o Monroe sempre foi um mapa imaginário, uma paisagem que queria conhecer fora das fotos. Este outro palácio agora também passou a fazer parte do meu Rio invisível.

Respostas aqui, por favor!

Read Full Post »

Dei nesse filmete do Cinejornal, que mostra uma viagem de Botafogo para Copacabana nos anos 1950. Durante a pesquisa para “Mapas invisíveis”, descobri no clássico livro de Brasil Gerson, “História das ruas do Rio”, que Copacabana começou a crescer a partir da colônia de pescadores do Posto 6, que está no coração de um dos trabalhos inéditos que Daisy Xavier, moradora deste trecho do bairro, está preparando.  Daisy, minha vizinha, também pensa em um vídeo que conversa bastante com este filmete do Cinejornal e vai ser produzido em alguns passeios de bicicleta pela orla de Copacabana, com a câmera voltada para o paredão formado por seus arranha-céus. Contamos mais depois.

Falando um pouco mais de História, os pescadores ergueram uma igreja para Nossa Senhora de Copacabana onde hoje é o Forte. Por este motivo, a Rua Francisco Otaviano, que já fazia a ligação do bairro com Ipanema, recebeu o nome de Rua da Igrejinha.

Copacabana e Candelária: a mesma santa

Gerson também me ensinou que há mapas invisíveis entre os bairros da cidade. Nossa Senhora de Copacabana, a santa, é um destes fios que não vemos. Diz o autor que esta manifestação de Maria, mãe de Jesus, com origem boliviana, assumiu aqui dois nomes:  Nossa Senhora de Copacabana e Nossa Senhora da Candelária. Com o primeiro nome, batizou o bairro da Zona Sul. Com sua outra identidade, deu origem à paróquia que, em sua origem voltada para o mar e para o cais, recebia os estrangeiros e navegantes que aportavam no Centro do Rio. Hoje de costas para a Presidente Vargas, a Igreja da Candelária seria, então, uma irmã de fé dos pescadores de Copacabana.

Read Full Post »

Há uma série interessantíssima da BBC chamada “The beauty of maps” (“A beleza dos mapas”).  Vamos postar aqui trechos dos programas, entrecortando-os com o curso dos bastidores de “Mapas invisíveis”. Este é do primeiro episódio, sobre mapas medievais.

Para saber mais sobre a série, clique aqui.

Read Full Post »

O grupo Opavivará visita o Mercadão de Madureira

Uma cidade é feita de cidades sobrepostas. Há muitos mapas invisíveis nos bairros e regiões de uma metrópole. Eles revelam as diversas camadas de tempo e espaço que aquela cidade viveu – camadas estas que são costuradas pela memória – individual ou coletiva dos moradores daquele lugar.

“Mapas invisíveis”, a exposição, vai propor que artistas visuais de diferentes gerações, com grande importância na cena contemporânea brasileira,  se debrucem sobre esta escrita quase oculta do Rio de Janeiro. Assino a curadoria da mostra, que será inaugurada no dia 8 de novembro deste ano, na Caixa Cultural, mas que já começou a ser produzida pelos artistas nos encontros com as regiões escolhidas. Este blog vai documentar informalmente este processo, já que tão importante quanto o resultado final, obras inéditas que serão vistas na galeria da Caixa, é o caminho que as gerou.

Em “Cidades invisíveis”, livro que foi a primeira semente para esta exposição, Italo Calvino diz, através da boca de seu Marco Polo contador de histórias,  que “De uma cidade, não aproveitamos suas sete ou setenta maravilhas, mas as respostas que dá às nossas perguntas”.  Esta exposição vai atrás destas respostas e de novas dúvidas.

Suzana Queiroga (direita) conversa com Suélen Brito, que coordena oficinas de arte no Projeto Redes, da Maré: a artista reencontrou crianças que foram à sua exposição no Chácara do Céu e desenvolve projeto em parceria com elas

A cidade e a arte sempre caminharam juntas. A própria ideia de cidade – e de cada cidade, especificamente – foi pensada pelos artistas. Foi assim com a Florença Renascentista, cuja construção não pode ser dissociada dos grandes artistas e arquitetos do período; com o Império Turco Otomano, contado e recontado por seus tapetes e gravuras; com a São Paulo de 1922, redimensionada para todo o Brasil com a antropofagia de Oswald de Andrade; com o Rio Modernista dos anos 1950, traçado por arquitetos como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Affonso Eduardo Reidy, mas também pela bossa nova, o teatro de Nelson Rodrigues, os artistas construtivos.

“Eu sou a cidade”, escreveu certa vez Carlos Drummond de Andrade em um de seus poemas, para completar, mais adiante: “A cidade sou eu”. Ao convidar 12 dos maiores artistas contemporâneos do país para repensar regiões do Rio de Janeiro pretendi de alguma forma ecoar a frase do poeta mineiro, que adotou o Posto 6 como lar.

A memória visual dos artistas e do público trará à tona o repertório de cada um, mas também acertos, saudades e feridas. Os lugares escolhidos têm em comum o fato de representarem uma confluência de História e histórias: são bairros, ruas ou regiões que passaram por grandes transformações ao longo do tempo – uma reforma urbana que alterou seu traçado, demolições, reestruturações paisagísticas, deterioração econômica – ou representarem encruzilhadas entre culturas, classes sociais, grupos rivais.

Eis os 12 “Mapas invisíveis”  - artistas e lugares:

Alexandre Vogler – Realengo

Angelo Venosa – Floresta da Tijuca

Anna Bella Geiger – Região Portuária

Daniel Senise – Botafogo

Daisy Xavier – Copacabana

Luiz Alphonsus – Aterro do Flamengo

Luiza Baldan – Barra da Tijuca/Península

Opavivará – Madureira

Paulo Vivacqua – São Cristóvão

Rosângela Rennó – Saara

Suzana Queiroga – Maré

Thiago Rocha Pitta – Avenida Rio Branco e Castelo

A realização de “Mapas invisíveis” é da Tisara Produções e da equipe coordenada por Mauro Saraiva. O design de montagem e o projeto gráfico do catálogo estão a cargo de Fernando Leite.

Read Full Post »

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.